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Viam
os gregos na alimentação o meio mais eficaz de combater a doença,
opondo-se aos desequilíbrios do organismo. Hipócrates, médico de Cós,
que viveu no fim do século V a.C., deteve-se sobre questões de dietética,
compondo um conjunto de tratados sobre o assunto. Um verdadeiro receituário,
com uma listagem minuciosa dos alimentos consumidos na Grécia Clássica.
Era
da terra que os gregos tiravam o seu principal sustento alimentar. Os
romanos chamavam-lhes “comedores de cevada”.
A
democracia grega estendia-se à posse da terra. Esta pertencia ao cidadão.
Era explorada em pequenas parcelas, fruto da geografia fragmentada do país.
As oliveiras espalhavam-se nas orlas dos campos ou surgiam neles
disseminadas. A vinha também caracterizava a paisagem.
Os
romanos deixaram para a posteridade, impressas na paisagem rural, as
villae. Os gregos fixavam-se nos habitats. Não possuíam a opulência
das villae romanas, mas respondiam às necessidades da população
rural. O conjunto arquitetônico era de grande simplicidade, com as
habitações, algumas capoeiras e escassas ferramentas para
trabalhas a terra.
Cevada,
o alimento básico dos gregos
O
douto Hipócrates salientava no seu Regime, a cevada, alimento básico
para os gregos. Esta cevada não era consumida sob a forma de pão,
mas sim como maza, feita com cevada pré-cozida, reduzida à farinha
de sêmola.
Adicionava-se-lhe
um líquido- água, azeite, mel ou leite- e condimentos,
amassando-se tudo cuidadosamente. A maza, estava assim pronta a ser
consumida acabada de fazer, ou em conserva.
Com
a farinha de sêmola e hortelã-pimenta, confeccionava-se o cyceon,
bebida sagrada e rústica. No campo, a cevada era também comida em
grãos descascados e cozidos sendo, posteriormente secos.
Não
obstante o extenso rol de aplicações da cevada, a dieta grega era
relativamente diversificada. Trigo, milho-painço, grão-de-bico,
favas, lentilhas, eram consumidas avidamente pelos antigos gregos.
Menos
comum, e mais dado a ocasiões festivas, era o consumo de cão.
Entre as carnes eleitas encontravam-se o javali, veado, lebre,
raposa e mesmo porco-espinho – devidamente destituído das suas
agulhas, claro está.
Nas
aves, os gregos mostravam predileção pelo pombo, perdiz, galo,
rola e ganso.
Rodeados por mares repletos de peixe e marisco, os antigos gregos
foram grandes apreciadores destes alimentos. Os atuns eram salgados,
as enguias, os salmonetes, os pregados, os polvos, as douradas, os
pargos, as tremelgas e os congros são citados com freqüência nos
textos.
Para
os gregos qualquer refeição que se prezasse, mesmo a mais humilde,
tinha que ser convenientemente regada com os calorosos vinhos da Trácia,
de Tassos, de Quios. Amadurecendo em ânforas, estes néctares,
tornaram os gregos, a par das suas inclinações artísticas e
intelectuais, sobejamente conhecidos no mundo antigo.
O
Banquete Grego
Viam
os gregos na alimentação um meio de nutrir e endurecer os homens
para a guerra. Mas também reconheciam nos períodos de paz, o
deleite da boa mesa.
Em
A Paz, Trigeu traz-nos uma imagem aproximada dos prazeres comensais:
“Do que gosto não é dos combates mas, sentando ao canto, junto
da fogueira, de beber ao desafio com os camaradas (...) grelhar grão-de-bico,
assar bolotas de faia, ao mesmo tempo que me enrolo com a Thattra (a
escrava) enquanto a minha mulher se lava (...). Vamos, mulher, põe
a grelhar três fatias de queijo com grãos de trigo, à mistura, e
traz os figos. Diz para irem buscar a minha casa um tordo e dois
tentilhões”.
Os
gregos prezavam as refeições comunitárias, desdenhando os povos
que nunca, ou apenas ocasionalmente o faziam. Para eles o banquete
surgia como uma exteriorização artística. Viam nesta manifestação
à mesa a negação da barbárie. Os banquetes gregos faziam-se a
dois tempos: primeiro comia-se, depois bebia-se. Faziam-no
reclinados em divãs diante dos quais se colocavam mesas amovíveis;
o corpo repousava sobre mantas o cotovelo era suportado por uma
almofada. O serviço era assegurado pelos escravos da casa. Contudo,
os festins não se resumiam a este espaço. Eram comuns nos ginásios
e praças públicas reunindo, por vezes, toda a comunidade.
Isto
na cidade, claro está. No campo a vida era bem mais frugal, por
vezes com privações.
Os
cozinheiros gregos eram homens livres, que se gabavam de ter como
antepassado Cadmus, fundador de Tebas e inventor da escrita. Chegou
até nós o nome de alguns “chefs”. Na época da dominação
romana houve mesmo algumas escolas de cozinhas em Atenas, onde eram
organizados concursos. Era uma profissão lucrativa e honrada.
A Grécia antiga está na origem de quatro contributos fundamentais
para a cozinha: a criação e o freqüentar habitual do mercado; o
estatuto especial atribuído ao cozinheiro; a frugalidade; inúmeras
receitas para a posteridade.
Chef
Yoel Ber
Israel
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