|
|
||||||||||
|
|
MOQUECA CAPIXABA - E NÃO ME VENHA COM PEIXADA!
Como bom capixaba que sou, não poderia deixar de registrar um certo "destempero" que sinto quando leio a definição de moqueca no famoso Dicionário Aurélio:
Venhamos
e convenhamos, Aurélio jamais deve ter passado pelo Espírito Santo, a
verdadeira "casa" da moqueca. Moqueca, amigo visitante, só
existe a Capixaba. Essas que você encontra por aí é só peixada ou sopa
de peixe. Sei que vou arrumar a maior briga com tudo o que é baiano deste
país, mas a verdade tem que ser dita, doa a quem doer! E se é por uma
causa nobre, defender a única e maravilhosa Moqueca Capixaba, vale a
pena! Segundo a Professora Leonor de Araujo Santanna (Chefe do
Departamento de História da UFES e membro da Diretoria do Clube da
Moqueca Amiga), é a seguinte a verdadeira história deste maravilhoso
manjar dos deuses: Na panela
de barro, confeccionada pelos índios, e hoje feita pelos descendentes de
índios e negros, juntou-se as comunidades costeiras capixabas, conhecidas
como caiçaras, que deu ao prato o seu componente principal: o peixe, como
o robalo, o papa-terra, o realito, o xaréu e o badejo, de excelente
qualidade, pois a costa capixaba pela sua localização e condições marítimas,
é uma das mais fartas do litoral brasileiro.
Aos
índios, que também contribuíram com o urucum, que fornece a belíssima
coloração avermelhada do prato e um gosto especial, vierem somar os
negros e portugueses. Os
africanos deram aquela pitada a mais no cozido, acrescentando a pimenta
malagueta e o coentro, que fazem com que a muqueca tenha gosto de “quero
mais”. Os
portugueses, com a tradição milenar do pescado, contribuíram para que o
peixe tivesse um tratamento anterior ao cozimento, temperando-o com o limão,
o alho, e a cebola vindos da Europa, que os trouxe do Mediterrâneo e do Oriente
como especiarias. Todos
esses ingredientes reunidos resultam em um prato onde o sabor do peixe é
evidenciado, e pessoas das mais variadas partes podem saboreá-lo, sem
susto, pois ele é leve, com substância, e de fácil digestão. Isso mostra que, em terras capixabas, o criador conspirou para que as culturas que formaram nossa gente, se juntassem inspiradas e produzissem essa maravilha de prato que é a muqueca capixaba." (Leonor de Araujo Santanna, além de Chefe do Departamento de História da UFES, é também: Professora de História do Espírito Santo e de África, Presidente do Sindicato dos Guias de Turismo do ES, e Membro do Conselho Municipal de Turismo de Vitória). Como você vai poder observar, a nossa caríssima professora faz uso da palavra "muqueca", ao invés de "moqueca". Há, na realidade, uma grande discussão em torno disso. Um nobre capixaba, seu Délio Grijó, famoso por suas defesas acaloradas de nossa terra, disse-me que os antigos ilhéus (moradores da ilha de Vitória) escreviam com "U". Bem, história para cá, história para lá... O importante mesmo é não deixar de comer a Moqueca Capixaba, com "O" ou com "U", mas sem abrir mão de ser a verdadeira e única, longe das "maquiagens" impostas pelos falsos "moquequeiros", que ousam usar molho de tomate, pimentão, azeite-de-dendê, salsa, leite de coco... Ah! Se seu Délio pega o maquiador! Lusmar Machado Moraes Pizetta Membro Fundador do Clube da Moqueca Amiga Proprietário/Webmaster da Gastronomia Brasil |
|||||||||